AS AVENTURAS DE LUIZ JOSIAS: O APRENDIZ DA MATA
O APRENDIZ DA MATA
Raimundinho
perguntou
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Luiz por que você gosta tanto da mata ?
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Hum... Luiz teve que soltar um pigarro e se indireitar em cima do tamborete,
pra começar:
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A mata chama a gente, ela puxa como se fosse um azogue ! Luiz fazia gestos com
as mãos lutando pra equilibrar a barriga protuberante em cima do coro do
tamborete, estavam conversando no terreiro, aproveitando a sombra da casa, no
verão quente do bairro carrasco.
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E faz cada vez mais a gente entrar nela, um gesto rápido e Luiz derrubou a
cinza do cigarro pé duro com um dos dedos, fazendo uma pausa necessária pra
continuar a história.
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Teve tempo que não gostava mais de ver gente, eu queria caçar e pescar todo dia.
Eu
aprendi muito com a mata, aprendi a respeitar o caipora, o caçador precisa
deixar um pedaço de rolo de fumo em cima de um toco pra ele não espantar a caça.
O
caipora virou o meu melhor amigo, foi ele que me ensinou a não atirar em
guariba parida com filhote nas costas, passando de um balsero pra outro.
Quando
o Bizomar me contou cheio de talabardão que atirou em uma viada parida eu senti
tanta raiva daquele fi d égua que pensei em matar ele com a espingarda.
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Eu pudia te matar bizomar ! Falei pra ele um dia que a gente bebeu cachaça
junto no queimadinho.
Eu
nunca tive coragem de fazer isso com bicho nenhum.
Eu
já vi muita coisa na mata de arrupiar o cabelo, mas é de partir o coração
quando você vê uma guariba parida com o filhote nas costas passando de um
balsero pra outro, deixando o filhote e voltando pro pau onde tava e junta as
mãos pro caçador matar ela e assim o filhote
escapar.
Talvez
a coisa mais importante que eu aprendi na mata foi que o bicho bruto tem mais
coração que o homem.
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