Autor: Edmond Hamilton (a capa tem uma gralha no nome do autor)
Título original: The City At World's End

1ª Edição: 1951
Publicado na Colecção Argonauta em 1954
Capa: Cândido Costa Pinto
Tradução: José da Natividade Gaspar

Súmula - foi apresentada no livro nº2 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Esta é a história de uma cidade dos nossos dias e do seu povo. É a dramática epopeia de uma pequena cidade americana do Oeste chamada Middletown, cujos cinquenta mil habitantes se viram súbitamente atirados para uma terrível situação, sem precedentes na História da Humanidade. Quando um formidável cataclismo científico os flagela, Middletown e a sua gente vêm-se arrebatados do seu tempo e atirados para um futuro longínquo, quando a Terra já está velha, moribunda, estranha, de há muito abandonada pelos homens.
É esta a história sem precedentes daquele povo; do seu imponente Governador Garris, eternamente político e teimosamente agarrado à sua autoridade inútil e obsoleta; de Johnson, o espavorido electricista; de Hubble, o velho homem de ciência; de Mrs. Adams, cuja maior preocupação se cifra no destino das suas bem cuidadas rosas, que já não dispõem do sol benfazejo que as viceje; da formosa Carol Lane, noiva do moço cientista John Kinston, de súbito com todos os seus sonhos matrimoniais desfeitos por aquele cataclismo que destruiu o tempo e transformou o futuro, que sonhavam risonho, num inconcebível e patente pesadelo.
E todos aqueles habitantes da Última Cidade da Terra - banqueiros, lojistas, operários, donas de casa, velhos e crianças, soldados e artistas, ladrões e sacerdotes, vêem-se todos irmanados no mesmo destino - o mais inconcebível e desesperador exílio no fim do Mundo, no fim de um mundo cujos dias estão contados, pois toda a vida perece, o Sol está apenas morto e as ervas dos campos e os riachos dos vales de há muito secaram numa terra gretada e nua, sobre a qual uiva o vento de um eterno Inverno.
Tornada inóspita a velha cidade de Middletown, exilam-se os seus habitantes em demanda de paragens mais acolhedoras e quentes. Deparam uma imensa urbe, esquisita e estranha, de edificios belos e imensos, resguardados do frio exterior por vastas e protectoras abóbadas.
Nessa cidade, nem um sopro de vida, mas é evidente que ali, há muitos anos atrás, viveu um povo singular, civilizado e forte, que, todavia, sinal algum deixou de quem era ou para onde partiu.
O moço John Kinston incansávelmente transmite para o espaço constantes apelos pelo rádio, mas cada vez mais todos se convencem, ante o siêncio que os rodeia, sem captarem qualquer resposta aquelas chamadas, que mais ninguém ficou na Terra para os ouvir. E pertinaz, persistente, lutando contra o desespero e o desânimo, de toda a hora, da misteriosa cidade das cúpulas, sobe ainda periódico o apelo de Kinston: - "Middletown chama! Middletown chama!..."
Silêncio, Mutismo. Nem um som para além daquele deserto enregelado e cor de oca. A noite eterna parecia ter descido sobre aquele último e desgraçado povo da Terra. Até que um dia...
Mas não prejudiquemos o natural interesse com que o leitor da "Colecção Argonauta" desejará conhecer a sorte e o insuspeito destino daquele povo de "A Última Cidade da Terra". 

nº 4 - A Nave Sideral


Autor: Murray Leinster
Título original: The Last Space Ship

1ª Edição: 1949
Publicado na Colecção Argonauta em 1954
Capa: Cândido Costa Pinto
Tradução: Fernando de Castro Ferro

Súmula - foi apresentada no livro nº3 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Antes de Vasco da Gama e Magalhães, circulavam na Europa medieval as mais fabulosas lendas acerca de mares e continentes desconhecidos, povoados de animais estranhos e monstros fantásticos. Hoje, que os homens já exploraram de  ponta a ponta o planeta em que vivemos, a imaginação humana tenta desvendar os espaços interplanetários e os universos estelares. Os romances de ficção científica, que conhecem enorme voga sobretudo nos países anglo-saxónicos constituem um novo género literário quase inédito em Portugal. Tendo uma base científica, eles revelam no entanto, e acima de tudo, o prodigioso poder de imaginação dos homens - e é com o maior gosto que "Livros do Brasil" apresenta ao público português mais uma obra da sua Colecção Argonauta, que pelo seu ineditismo e pelo seu carácter simultâneamente científico, romanesco e aventuroso, está destinado sem dúvida ao maior êxito em Portugal, povo de navegadores e descobridores, que soube tentar a aventura e encontrar novos "mares nunca dantes navegados..._".
Em "A Nave Sideral" assistimos à luta de Kim Rendell, que vive num planeta super-industrializado e super-mecanizado, contra a máquina que sujeita os homens dessa era. O planeta Alphin III está a uns dez mil anos de distância da época em que vivemos, mas em Kim Rendell palpita ainda um clarão da antiga mentalidade e idealismo. Em Alphin III não há propriamente governantes - mas uma máquina "que não erra nunca".  Cada indivíduo está ligado a um "Circuito Disciplinar", e o menor passo em falso conduz imediatamente à tortura psicológica.
Em Alphin III já não se usa o antigo processo de deslocação por meio de transportes. A teletransmissão de matéria é o processo masi rápido e eficaz. As pessoas são transmitidas de planeta para planeta tal como hoje são radiofundidas as ondas sonoras.
Kim Rendell é um "criminoso" por ter descoberto uma matéira que anula o "Campo Disciplinar", desafiando assim as leis da civilização da sua época. E quando, acompanhado da rapariga que ama, resolve fugir de Alphin III, roubando do museu uma velha nave interplanetária, para tentar encontrar um oásis naquele imenso espaço onde ele e Dona possam ser livres e felizes, principía a extraordinária e fantástica aventura de lutas e viagens através dos planetas e dos sistemas solares.

Prefácio:

Para muita gente este livro poderá parecer estranho, e na verdade assim terá que ser considerado. Escrevi-o da mesma maneira que algumas pessoas se cncentram sobre problemas de xadrez, ou outras plantam e tratam de dálias, ou ainda outras coleccionam primeiras edições ou certificados de saúde do período Gótico. Escrevi este livro para meu próprio divertimento, sabendo bem o que pensarão de mim as pessoas que não gostem ou não se interessam por este género - tal como as pessoas que consideram amalucados aqueles que se dedicam a problemas de xadrez, ou têm a mania das dálias, ou ainda as que coleccionam coisas estranhas. 
Mas diverti-me bastante enquanto o escrevia. Gosto de andar à solta com ideias originais, procurando o que elas querem dizer e o que podem produzir. É uma espécie de passatempo. Um dia ocorreu-me que os seres humanos até hoje quase não adaptaram um sistema de maquinaria como elemento importante nas nossas vidas e na nossa prosperidade. Exceptuando os equipamentos militares, é um facto que os únicos mecanismos desenhados especialmente para o trabalho do governo foram as cadeiras eléctricas e as luzes do trânsito. Esses mecanismos realizam tarefas públicas, e não possuem nenhum valor privativo. Não me consigo lembrar de nenhum outro mecanismo deste género. Assim, comecei a pensar no que aconteceria se as máquinas fossem desenhadas para tomar conta dos deveres governamentais, agora executados por homens. Até hoje apenas foi eliminado o carrasco público. Mas se o governo pudesse ser efectuado por máquinas, até os impostos poderiam ser reduzidos, e a inteligência e a ambição agora desperdiçadas em outras coisas podiam ser adaptadas a outros fins mais úteis.
Esta era uma ideia bastante interessante. Alguns teriam desenvolvido uma história inteiramente diferente da minha, usando o mesmo ponto de partida, mas aconteceu que eu tinha imaginado um "Circuito Disciplinar" como uma engenhoca governamental de primeira força, e isso abriu-me a porta da imaginação. Comecei a imaginar quantas distintas - e monstruosas - formas de governo poderiam e certamente tomariam lugar se o governo não pudesse nunca sesr contestado. Depois compreendi que esse mesmo invento poderia ser uma arma, um invento para anular o efeito de outras armas, e ainda muitas coisas mais. Podeira ser o que finalmente todas as invenções são de facto - o que os homens decidem fazer delas. 
E naturalmente não deixo de pensar que qualquer forma de governo que não pode ser desafiado eliminará toda e qualquer forma de liberdade a todos menos aos criminosos condenados, e a estes dará liberdade inteira como o mais terrível dos castigos.
Outros assuntos e ideias foram saindo da minha cabeça à medida que eu ia adiantando e desenvolvendo esta história. Muitas destas ideias eram irrelevantes, mas ofereciam-me momentos na verdade interessantes, quando por exemplo tinha de encontrar uma solução teórica para a velocidade mais rápida do que a luz. Também me agucava a curiosidade especular sobre o que seriam o alimento e os cozinhados num período de Cultura verdadeiramente desenvolvida. Um máximo de industrialização até uma conclusão ilógica era também motivo para me interessar agudamente, e fiquei horrivelmente fascinado com o que seria o espectáculo de um mundo sem homens - que tantas mulheres fingem desejar - e o quena verdade aconteceria se isso sucedesse.
Em resumo, misturei e envolvi várias ideias. Não é um truque original. Grande parte da chamada ficção científica não passa disso. Eu gosto do género. Com o tempo e com o esforço dispendido nesta história - e com um raciocínio semelhante adpatado a outros assuntos - poderia ter escrito uma história policial ou um mistério chamado "O Assassino Temporário", acerca de um multimilionário excêntrico que fora assassinado por meio de uma seta quando viajava sózinho no seu avião de jacto privativo sobre as Bermudas.
Mas diverti-me imenso mais escrevendo isto.

Murray Leinster
"Ardudwy" - Gloucester Coutry - VA

nº 5 - O Universo Vivo


Autor: Jimmy Guieu  
Título original: L'Univers Vivant  
1ª Edição: 1953  
Publicado na Colecção Argonauta em 1954  
Capa: Cândido Costa Pinto  
Tradução: Rui Bandeira

Súmula - foi apresentada no livro nº4 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Pela primeira vez nesta Colecção, apresentamos um autor francês. A inteligência francesa não podia deixar de se interessar pela nova forma de literatura, a ficção científica. E na verdade, "O Universo Vivo" é um romance em que se são as mãs a fantasia, a imaginação e a mais ousada especulação científica.
Os astrónomos da Terra observam através dos seus telescópios electrónicos perigosas conflagrações, choques de astros e de nebulosas. Mas essa conflagrações titânicas aproximam-se da Terra. E uma pergunta assustadora se coloca perante os sábios reunidos em assembleia de emergência: vai a Terra acabar? Vai o sistema Solar pulverizar-se num desses terríveis choques de nebulosas?
Um só homem se oferece para salvar a Terra e todo o sistema Solar. Apoiado na mais audaciosa das hipóteses, ele parte acompanhado de um grupo de amigos numa esquadrilha de astronaves que vai realizar uma aventura inaudita: descobrir a causa das conflagrações e detê-las. A viagem do comandante Barcley e dos seus companheiros, para lá do universo, reveste-se de aspectos extraordinários. O leitor ficará assombrado com a ousadia da hipótese e seguirá apaixonadamente uma palpitante aventura, e observará uma guerra mortífera num longínquo sistema planetário em que se chocam armas e métodos que ultrapassam de longe tudo o que possamos imaginar.

nº 6 - O Mundo Marciano


Autor: Ray Bradbury  
Título original: The Martian Chronicles  
1ª Edição: 1950
Publicado na Colecção Argonauta em 1954  
Capa: Cândido Costa Pinto  
Tradução: Fernando de Castro Ferro

Súmula - foi apresentada no livro nº5 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Naquele momento era Inverno em Ohio. Todas as casas tinham as portas e janelas fechadas, e os vidros cheios de geada; os telhados estavam cobertos dum espesso manto branco, e as crianças faziam bonecos de neve; as donas de casa caminhavam apressadamente pelas ruas geladas, agasalhadas em grandes casacos de peles que lhes davam um aspecto de enormes ursos polares.
E então uma colossal onda quente atravessou a pequena cidade, num mar de calor que parecia não ter fim, como se alguém tivesse deixado aberta a porta de um forno descomunal. O calor entrou pelas casas e pelos jardins e aqueceu as crianças e as donas de casa. O gelo caiu dos telhados e começou a derreter. As portas abriram-se. As janelas abriram-se. As crianças tiraram os agasalhos. As donas de casa penduraram os casacos de peles nos armários. A neve derreteu-se e pôs a descoberto a relva do Verão passado.
O foguetão trouxera de novo o Estio.
Janeiro de 1999. Os homens persistem na sua luta para a conquista de Marte. Os modelos de aeronaves accionadas por energia atómica fazem tentativas sobre tentativas. Cada vez o Homem se aproxima mais dos seres vivos que sabem já, existir em Marte. mas o primeiro contacto vai por fim estabelecer-se nesse mesmo ano, quando um grupo de seres humanos se dispõe à mais temerária de todas as  viagens interplanetárias.
Fevereiro de 1999. O senhor e a senhora K vivem numa casa com pilares de cristal mesmo à borda de um mar extinto. Os seus antepassados tinham vivido na mesma casa, que girava sobre si e seguia o Sol, como as flores o fizeram, durante séculos. O senhor e a senhora K não eram velhos, tinham a pele de um loiro escuro, próprio de verdadeiros marcianos, olhos de um amarelo doirado e vozes suavemente musicais.
Já o ano 2009 rondava, quando se deu o choque das duas civilizações. O casal K - como milhares de outros marcianos, puderam assistir à chegada de uns seres estranhos, com olhos azuis e castanhos, cabeços pretos e loiros, vestindo trajes que eles jamais viram. Os homens atingiram Marte e a partir daí começaria uma luta constante, cada um com a sua mentalidade. A nova conquista foi sentida de várias formas e provocou reacções diferentes, e os  marcianos puderam assistir, apavorados, a um mar de paixões que se entrechocaram... O estudioso, sempre atento a novas descobertas e vivendo alheio aos interesses materiais; o militarista, que tudo destrói na sua paasagem para conquistar o novo planeta; o comerciante, que procura novas formas de negócio com as maravilhas postas ao seu alcance; o antropologista, que encontrava ao seu dispôr um novo manancial de estudo - todos, cada um seguindo os seus sentimentos, procuram alojar-se no novo planeta.
Os homens da Terra, tinham finalmente conquistado o fantástico.

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